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Ciência, arte e memória: Casa Porto apresenta mulheres que transformaram a ciência brasileira

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Por Pedro Vargas (pedrovargaseira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes


Foto Divulgação
Pinturas retratam pesquisadoras de diferentes épocas e áreas científicas.
Pinturas retratam pesquisadoras de diferentes épocas e áreas científicas. (ampliar)

A ciência nasce da curiosidade e transforma o mundo pelas mãos de quem ousa ir além do conhecido. Nesta quinta-feira, 05 de novembro, é celebrado o Dia Nacional da Ciência e também o Dia da Cultura, por isso a ocasião ganha um significado especial com a abertura da exposição "Cientistas Brasileiras", na Casa Porto das Artes Plásticas. A mostra reúne pinturas sobre tela inspiradas em mulheres que fizeram e continuam fazendo história na ciência do país, mas cujas trajetórias ainda são pouco conhecidas pelo grande público. Com entrada gratuita, a exposição permanecerá aberta à visitação até 13 de janeiro de 2027.

Por meio das artes visuais, o público poderá conhecer histórias de pesquisadoras que romperam barreiras, produziram descobertas e ampliaram os horizontes do conhecimento em diferentes campos científicos.

"Cientistas Brasileiras" é realizada pelo Laboratório de Popularização da Ciência da Universidade Federal do Espírito Santo (LabPop Ufes), sob coordenação da professora Viviana Borges Corte, e integra a programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Com curadoria do artista plástico Marcos Graminha, a mostra apresenta mulheres de diferentes épocas e áreas de atuação, aproximando suas contribuições da sociedade e reafirmando a importância de reconhecer quem construiu os caminhos da ciência brasileira.

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A mostra reúne ciência, arte e histórias de superação.
A mostra reúne ciência, arte e histórias de superação. (ampliar)

Entre as homenageadas estão Bertha Lutz, bióloga e importante liderança do movimento sufragista; Nise da Silveira, psiquiatra que revolucionou o cuidado de pessoas em sofrimento mental; Graziela Barroso, referência na botânica brasileira; Elisa Frota-Pessoa, pioneira da física experimental e da pesquisa nuclear no país; e Enedina Marques, primeira engenheira negra do Brasil.

O percurso também destaca Niède Guidon, arqueóloga responsável por descobertas fundamentais para a compreensão da ocupação humana na América; Johanna Döbereiner, cujas pesquisas sobre fixação biológica de nitrogênio transformaram a agricultura tropical; além de pesquisadoras contemporâneas, como Ethel Maciel, Neiva Guedes, Jaqueline Goes e Anna Maria Canavarro, que seguem contribuindo para a produção científica em diferentes áreas.

A exposição convida o público a refletir sobre uma questão fundamental: por que sabemos tão pouco sobre as mulheres que fizeram e fazem ciência no Brasil? A partir de pesquisa histórica, acervo documental e depoimentos, a mostra recupera trajetórias atravessadas por desafios como a invisibilidade institucional, a falta de financiamento e a exclusão dos espaços de decisão científica.

A iniciativa nasceu da experiência do LabPop Ufes com projetos de divulgação científica e formação de professores, especialmente da exposição "Cientistas Brasileiras -- 90 anos de Niède Guidon", realizada em 2023. A partir daquela experiência, surgiu a proposta de ampliar o olhar para diferentes pesquisadoras e apresentar suas histórias em pinturas sobre tela, levando a discussão para além do ambiente universitário, em um espaço cultural aberto à cidade.

"A exposição Cientistas Brasileiras nasce de uma inquietação que acompanha nosso trabalho: a distância entre a ciência que se produz no Brasil e o conhecimento que a sociedade tem dela. Quando olhamos para a história da pesquisa nacional, percebemos que boa parte das mulheres que construíram esse campo segue pouco conhecida, especialmente fora dos muros da universidade. Foi essa constatação que nos levou, em 2023, à mostra sobre os 90 anos de Niède Guidon, e é ela que agora nos traz à Casa Porto com um recorte mais amplo, em pinturas sobre tela, reunindo trajetórias de áreas e gerações distintas", destaca a professora do Departamento de Ciências Biológicas da Ufes e coordenadora do LabPop Ufes, Viviana Borges Corte.

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Classificação indicativa da exposição é livre e entrada é franca.
Classificação indicativa da exposição é livre e entrada é franca. (ampliar)

"Ocupar um equipamento cultural do Centro histórico de Vitória, com entrada gratuita e programação de palestras, rodas de conversa e oficinas, é a forma que encontramos de levar esse debate para além do público acadêmico. Acreditamos que conhecer essas mulheres é também abrir caminho para que outras meninas se reconheçam na ciência", completa a professora.

Arte, educação e formação de público

Além da visitação, a programação prevê palestras, rodas de conversa e oficinas presenciais, ampliando o diálogo sobre gênero, diversidade e produção científica. As atividades terão agendamento divulgado posteriormente nos canais oficiais da Casa Porto e do LabPop Ufes.

Com classificação indicativa livre, a mostra estará aberta de segunda à sexta-feira, das 10 às 18 horas e aos sábados das 10 às 14 horas. O local conta com condições de acessibilidade física, incluindo banheiros adaptados, circulação para cadeiras de rodas e espaço reservado para acompanhantes e cães-guia.

Serviço
Exposição Cientistas Brasileiras na Casa Porto
Quando: de 5 de novembro de 2026 a 13 de janeiro de 2027.
Onde: Casa Porto das Artes plásticas - Praça Manoel Silvino Monjardim, 66, Centro Histórico de Vitória.
Funcionamento: segunda à sexta-feira, das 10 às 18 horas e aos sábados das 10 às 14 horas.
Classificação indicativa: Livre.
Entrada: Gratuita.
Informações: (27) 3132-5295.