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Mucane recebe programação da 20ª Primavera dos Museus

Publicada em

Por Ana Beatriz Schmitz (absschmitzeira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes


Leonardo Silveira
MUCANE - Museu Capixaba do Negro Verônica da Pas (Fachada e Dependências Internas)

O Museu Capixaba do Negro (Mucane) foi palco, nos dias 22, 23 e 24 de setembro, para a programação da 20ª Primavera dos Museus. A iniciativa reuniu estudantes, grupos escolares, visitantes do museu, comunidade local e demais interessados em atividades culturais e educativas voltadas à valorização da cultura, da memória e da identidade negra.

Ao longo dos três dias, a programação promoveu encontros entre artistas, profissionais da cultura e o público, aproximando a comunidade das linguagens artísticas e das ações desenvolvidas pelo espaço. As atividades também estimularam reflexões sobre a presença e a contribuição da população negra na construção da sociedade brasileira.

A programação contou com diferentes linguagens, como audiovisual, literatura oral, graffiti e desenho, proporcionando espaços de participação, escuta, reflexão e expressão.

Programação

No primeiro dia do evento, na terça-feira (22), a abertura contou com a palestra "MUCANE: Museu, diversidade e pertencimento", que abordou o papel do equipamento na construção de novos olhares sobre a história e a cultura das populações negra e indígena no Espírito Santo.

Na sequência, o público participou de um momento de compartilhamento de histórias de protagonismo negro, com destaque para a trajetória de resistência da cantora Elza Soares.

Na quarta-feira (23), o Cine Mucane apresentou a "Mostra Territórios", com a exibição dos curtas-metragens "Zacimba Gaba, um Raio na Escuridão", de Tati Rabelo e Rod Linhales, e "Liberdade de Morar", de Penha Souza. Após as exibições, foi realizada a roda de conversa "Representatividade Negra e Indígena no Audiovisual".

O último dia (24) contou com a presença do artista visual Starley Bonfim, que já tem uma criação que compõe as paredes do museu. A obra foi realizada pelo projeto "Iconegrafia" (2021) que teve como objetivo representar pessoas negras do cotidiano com histórias particulares mas grandiosas de superação. 

"O Graffiti é uma das expressões artísticas mais inclusivas e democráticas na contemporaneidade. Uma manifestação que busca deixar a cidade menos monótona, genuinamente feita para seres humanos e que questiona quem tem o direito ou autonomia sobre a paisagem urbana. O Graffiti me trouxe o senso de identidade, valorização de minha ancestralidade e uma atualização no olhar que jamais irá envelhecer, ampliando minha representação de universo de uma maneira incrível", relata Starley. 

Palestrando sobre o papel social do graffiti, o artista cumpriu com sua principal intenção de dar a devida importância aos sujeitos que continuamente constroem a realidade, e por isso , merecem ser representados de modo que atraia a merecida atenção à ancestralidade do povo preto brasileiro. 

Na sequência, Yzá dos Santos ministrou a oficina "O desenho no Graffiti", que proporcionou aos participantes uma atividade prática voltada à linguagem da arte urbana.

A programação da 20ª Primavera dos Museus no Mucane reforça o papel do equipamento cultural como espaço de preservação da memória, produção de conhecimento e valorização da cultura negra, e com certeza ficou marcada na memória de todos os participantes que viveram essa experiência imersiva.