Para muitas pessoas, a feira livre é o coração pulsante do bairro: um ponto de encontro semanal repleto de cores, aromas e afetos que atravessam gerações. Mas, quando o avanço da idade e as limitações de mobilidade dificultam os deslocamentos, atividades simples, como escolher uma fruta, saborear os alimentos vendidos ou reencontrar velhos conhecidos, podem se transformar em lembranças distantes. É essa saudade que Elisa Brandão Marques, de 100 anos, e sua filha, Maria Ângela Marques, de 77 anos, conhecem bem, já que as idas à feira se tornaram cada vez mais difíceis.
Com o apoio da equipe técnica do Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio para Pessoas com Deficiência e Pessoas Idosas (SAD), mãe e filha terão a oportunidade de revisitar a feira livre de Jardim da Penha, um lugar especial em suas memórias. Entre as lembranças que desejam reviver está a de uma barraca onde encontram um doce de jaca que marcou suas visitas ao local.
O assistente social Ramon Cassa e a psicóloga Janaína Morelato, que acompanham as duas pelo serviço, organizaram uma intervenção psicossocial para este sábado (7), com o objetivo de proporcionar o retorno das moradoras à feira. "Essa intervenção responde diretamente à necessidade de mobilidade da moradora, que se vê com a locomoção drasticamente reduzida em razão de um quadro de saúde agravado. Desse modo, a ação busca assegurar e proteger o direito social ao acesso a espaços públicos que fazem parte de sua rica trajetória", comentou o assistente social.
Convivência e fortalecimento de vínculos
O supervisor técnico do SAD, Cleidson Gonçalves Martins, explica que o trabalho das equipes vai além do acompanhamento técnico cotidiano. A atuação também busca restabelecer o convívio comunitário de pessoas que, devido a barreiras físicas e de saúde, acabam afastadas de espaços que fazem parte de suas histórias.
Segundo o supervisor, possibilitar o retorno dessas moradoras a um lugar tão significativo representa uma forma de garantir direitos sociais, combater o isolamento e assegurar o protagonismo da pessoa idosa.
A gerente de Atenção à Família da Semas, Daniela Colatto, destaca que intervenções dessa natureza demonstram o impacto da Proteção Social Básica no fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. Ela ressalta que o trabalho das equipes consiste em superar as barreiras do isolamento social e garantir que o envelhecimento seja vivenciado com amplo acesso a direitos e plena participação na comunidade.
A secretária de Assistência Social, Carla Scardua, reforça o compromisso do município com a consolidação de políticas de proteção social capazes de transformar realidades. Ela enfatiza que a garantia da autonomia, aliada ao apoio das equipes de referência da Assistência Social, possibilita a construção de novos vínculos e a retomada da convivência em espaços que fazem parte da história de cada pessoa acompanhada pelo serviço.
Atendimento domiciliar
O Serviço de Atendimento no Domicílio (SAD) é destinado a pessoas idosas com 60 anos ou mais e pessoas com deficiência de qualquer idade. Sua organização contempla os 12 territórios socioassistenciais atendidos pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas), distribuídos em três polos: Itararé, Centro e São Pedro I.
Atualmente, o serviço conta com seis equipes formadas por profissionais de Psicologia e Serviço Social, além de 12 educadores sociais qualificados. Os profissionais reúnem conhecimentos técnicos e habilidades específicas, de acordo com a metodologia e os objetivos do serviço, para promover a proteção social, a autonomia e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.