Com a célebre premissa da psicóloga social brasileira Silvia Lane, de que toda psicologia é social, no Dia do Psicólogo, comemorado em 27 de agosto, os profissionais que atuam nos diferentes níveis da proteção social da capital falam sobre a importância e o papel que desempenham nos serviços da Secretaria de Assistência Social (Semas). Muitas histórias marcam e são lembradas por esses profissionais pela transformação social da realidade dos que chegaram nas unidades socioassistenciais do município.
Há pouco mais de um ano atuando como psicóloga do Centro de Referência Especializado (Creas) Centro, Raquel Rangel Luciano explicou que o trabalho exige um olhar ampliado para a família e para o serviço, com o objetivo de enxergar para além dos desafios e acreditar na força das políticas públicas. Ela ressaltou que a meta é fazer com que a política pública seja a maior aliada nessa caminhada de proteção e garantia de direitos.
Raquel admite que não é fácil atuar no Sistema Único de Assistência Social (Suas). "Existem dias em que a equipe vivencia sentimentos difíceis, mas que o cotidiano também desperta uma sensação de satisfação e de admiração pelo trabalho que é desenvolvido". Ela relatou que muitos casos marcaram sua trajetória dentro do Creas e acrescentou que o vínculo é o principal instrumento de trabalho, sendo muito bom observar quando os usuários estão em grupo se aconselhando entre si diante de diversas situações, e mais importante ainda quando conseguem se acolher, pois isso demonstra que o vínculo construído possibilita a troca, o fortalecimento e a autonomia.
Na visão da psicóloga Agatha Nalesso Palcich, que atua no Centro de Referência da Assistência Social (Cras) Inhanguetá, ser psicóloga na Assistência Social é desafiador e ao mesmo tempo interessante, envolvendo momentos de alegria e de frustração. Ela diz que a rotina é um misto de emoções e que os desafios aparecem nos atendimentos com os munícipes, com as redes intermunicipais e com a própria estrutura da política pública, mas reforçou que, apesar de tudo, é gratificante ver que as vidas podem ser melhoradas porque o trabalho acontece diretamente na ponta.
Nesse misto de emoções, Agatha conta que várias histórias causaram impacto, como a de um adolescente que, depois de participar de várias atividades, manifestou o desejo e a necessidade de voltar a estudar. A psicóloga lembra que infelizmente não são todos os casos que terminam assim, pois as histórias e vivências são diferentes, mas que se sente feliz quando percebe que a tristeza relatada no início dá lugar a relatos de alegria e conforto.
A psicóloga Paula Mattos Brant, que atua há sete anos no acolhimento no Centro de Vivência 4, ser profissional é oferecer um espaço seguro, protetivo, de escuta e de acolhimento para todos os adolescentes que chegam naquele acolhimento institucional já rodeados de violações de violência e desproteções. "A grande emoção de ser psicóloga na Assistência Social é poder tocar na história de cada um desses adolescentes e fazer a diferença para eles ressignificarem esses traumas, medos, sofrimentos e reconduzir a vida deles da melhor forma possível", citou Paula.
Ao falar sobre seu trabalho, Paula relembrou um caso que marcou muito sua trajetória profissional. "Um adolescente que sofreu várias violências e negligências por parte do genitor, após a morte da mãe. Ele ficava em busca de ser aceito e ter de volta a família. Trabalhamos o projeto de vida dele e, aos poucos, ele foi compreendendo que ele poderia fazer por ele mesmo aquilo que não conseguia receber".
Segundo a profissional, depois de pouco mais de um ano, o adolescente conseguiu se reencontrar com o pai. "Ainda no acolhimento institucional participou das aprendizagens. Hoje, ele já é um jovem, está cursando a faculdade de Direito, fez curso de inglês. Está seguindo dentro da sua história de vida de quem vai ser um futuro advogado maravilhoso", conclui.
A secretária de Assistência Social de Vitória, Carla Scardua, enfatizou a importância vital desses profissionais na consolidação do direito social e no fortalecimento das redes de proteção. Ela afirmou que a psicologia no contexto social vai ao encontro de tantos outros profissionais do Suas pois atuam diretamente na transformação da realidade das famílias atendidas. "O compromisso da gestão é continuar assegurando as condições necessárias para que os psicólogos sigam acolhendo e garantindo a proteção social com excelência em cada território do município", finaliza.