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Exposição leva famílias ao Museu do Pescador

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Por Rosa Blackman (rosa.adrianaeira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes


  • Erradicação da pobreza
  • Redução das desigualdades

Foto Divulgação
Murilo, Yuri e ítalo Bruno participan do Cajun e se apresentaram na Vernisage.
Murilo, Yuri e ítalo Bruno participan do Cajun e se apresentaram na Vernisage.
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Dilsa Luiza, participante do Cajun, durante apresentação de dança.
Dilsa Luiza, participante do Cajun, durante apresentação de dança.

As famílias das crianças e adolescentes autores das obras que compõem a Exposição "Da Felicidade à coragem o olhar que abraça o território", disponível para visitação no Museu do Pescador, tiveram a oportunidade de ver, em primeira mão, as peças produzidas pelos artistas.

As obras da exposição, que segue até o dia 25 de agosto, foram produzidas por, aproximadamente, 180 crianças e adolescentes atendidos na unidade do Cajun de Santo André, equipamento da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas) um dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) de Vitória. A exposição reúne mais de 20 produções que retratam o olhar das crianças e adolescentes sobre o território onde vivem.

Um desses olhares é o da Leandra Ester Martins dos Santos, de 13 anos. A adolescente retratou no quadro o exemplar de ipê rosa, que encontra no caminho de casa para o Cajun Santo André. "Essa árvore sempre me chamou atenção. Quis retratá-la na paisagem do bairro", comentou Leandra.

Para os pais da adolescente, Denise da Silva Martins e Leandro da Conceição Santos, ver o quadro na exposição foi motivo de muita alegria e orgulho. "Senti algo diferente. O quadro de minha filha me fez viajar no tempo. A exposição me faz lembrar o meu tempo mais jovem. Me transportou para um tempo do passado", disse Leandro.

Para Joelma Rocha, mãe dos adolescentes Ítalo Bruno (14), Yuri Santos (12) e Murilo Santos (11), autores do quadro que retrata a vista do manguezal, ficou surpresa com o talento dos filhos para as artes plásticas. "Fiquei emocionada ao olhar para o quadro. É muito bom saber que eles têm talento", comentou.

Joelma fez questão de dizer que sua maior alegria foram as melhoras que os filhos tiveram ao longo do processo e de frequência no Cajun. "Posso enumerar: melhoraram na atenção; no relacionamento familiar e comunitário; conseguiram se expressar melhor; estão integrados e interagem melhor com as outras pessoas, principalmente, o caçula", celebrou Joelma.  

A Vernissage

A vernissage contou com a presença da secretária de Assistência Social, Cintya Schulz, no coquetel para as famílias e apresentação de dança Maculelê - que é uma dança afro- brasileira, que nasceu em Santo Amaro, na região do Recôncavo Baiano - numa alusão ao Dia do Capoeirista (comemorado em 3 de agosto).

"Fico emocionada. Me sinto feliz dançando. Me sinto linda. Gosto de dançar a música da nossa raça", comentou Sophia Trindade de Jesus, de 11 anos, que há um ano frequenta o Cajun Santo André. Ela faz questão de dizer: "Ah, no Cajun me divirto, brinco e aprendo muita coisa boa", falou Sophia.

Emocionada, antes de se apresentar para a dança, Dilsa Luiza, de 9 anos, fez questão de chamar atenção para dizer: "O Cajun é minha vida. Amo essa dança. Sou fã do Maculelê. Acho muito bonita e aprendi a amar desde quando meu irmão aprendeu", disse ela. Dilsa Luiza contou que o irmão mais velho, quando adolescente, frequentou o Cajun.

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Adolescente Leandra junto a sua família.
Adolescente Leandra junto a sua família.
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Secretária Cintya Schulz dialoga com Coordenadora e Educadora Social do Cajun.
Secretária Cintya Schulz dialoga com Coordenadora e Educadora Social do Cajun.

A gerente dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos da Semas, Cristina Silva, disse que a iniciativa da implantação do reordenamento trabalhando com os grupos reflexivos, trouxe iniciativas que impactaram nas crianças e adolescentes políticas públicas, da arte a cultura, evidenciando os vínculos familiares, comunitários e territórios ,ao mesmo tempo que afirmam linguagens artísticas diversas como, ferramentas de visibilização de sujeitos, territórios e questões periféricas.

A apresentação cultural, que aconteceu na área externa do Museu do Pescador, chamou atenção da comunidade e atraiu de volta a adolescente Adriele Mendes, de 15 anos. Ela, que frequentou o Cajun Santo André de 2014 a 2020, disse que "ouvi a percussão do Maculelê e senti saudade do meu tempo. Sinto falta de tudo e de todos daqui", revelou ele.

Nesse encontro com as famílias, a secretária de Assistência Social, Cintya Schulz, parabenizou a equipe do Cajun Santo André que acredita no potencial das crianças e adolescentes. "Fico muito feliz em ver a exposição. O quanto retrata a beleza que a gente consegue ver no território, na convivência, nas crianças e adolescentes e nas famílias", disse a secretária, acrescentando "valorizem a convivência e a infância. Vocês podem tudo que vocês quiserem e sonharem. Sonhem alto. Vocês podem tudo que sonharem".

A Exposição

A mostra, retrata de forma irreverente a história de Dona Felicidade Correia dos Santos, uma mulher negra, pobre, analfabeta, que chegou a Vitória pelo rio Santa Maria, na década de 1930.

Para montagem da exposição, as crianças e adolescentes foram orientados por uma equipe multidisciplinar de educadores sociais. "Foram vários encontros com os grupos de convivência para tratar do contexto histórico, da identidade cultural e da valorização do território", contou a educadora social Thaís Apolinário.

Felicidade Correia dos Santos

Dona Felicidade Correia dos Santos era pobre e analfabeta, morreu em 1991 deixando um legado de força e coragem. Nos deixou uma riqueza imensurável em forma de exemplo. Foi benzedeira e ajudou a fundar a primeira creche de Vitória, hoje o Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Magnólia Dias Miranda Cunha. A rua principal do bairro Ilha das Caieiras tem o seu nome.

A coordenadora do Cajun Santo André, Lúcia Helany de Sousa, atribui a palavra 'coragem' às crianças e aos adolescentes atendidos pelo SCFV que, em pouco tempo, entenderam a história e se dedicaram muito para que a exposição fosse realizada. "Coragem, participação, envolvimento, doação, são palavras que definem esses meninos e meninas tão potentes da Grande São Pedro", destacou Lúcia.

Serviço
Exposição Da Felicidade à coragem, um olhar que abraça o território.
Data: 10 de agosto a 25 de setembro de 2022.
Local: Museu do Pescador - Rua Felicidade Corrêa dos Santos, 1.095 - Ilha das Caieiras, Vitória
Entrada franca.

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Lúcia, coordenadora do Cajun e a ex- participante do serviço, Adriele Mendes.
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Sophia trindade de Jesus se prepara ára apresentação.
Sophia trindade de Jesus se prepara pra apresentação.