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Mucane recebe 6ª edição do "Dia dos Países Africanos" com sabores, ritmos e saberes do Quênia
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Por Pedro Vargas (pedrovargaseira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes
Um pedaço do Quênia encontra a força da ancestralidade afro-brasileira no Museu Capixaba do Negro "Verônica da Pas" (Mucane), em Vitória. No próximo sábado (22), das 11 às 22 horas, o espaço recebe a "6ª edição do Dia dos Países Africanos", desta vez dedicada ao Quênia, em uma programação que reúne gastronomia, música, dança, conhecimento, empreendedorismo e memória.
Idealizado pelo chef e produtor cultural congolês Rikler Makabu Sekelembe, responsável pela Chez Kimberly Food, o projeto nasceu com a proposta de aproximar o público brasileiro da pluralidade das culturas africanas. A cada edição, um país do continente é colocado no centro das atenções, revelando histórias, expressões artísticas, sabores e modos de vida que ajudam a compreender a diversidade de uma África formada por 54 países, milhares de grupos étnicos e centenas de idiomas.
Em Vitória, o encontro ganha um significado especial ao ocupar o Mucane, território dedicado à preservação da memória e à valorização da cultura negra. A programação estabelece uma ponte entre África e Brasil, mostrando que ancestralidade não é apenas lembrança: é presença, movimento, criação e identidade.
Sabores que atravessam oceanos
A gastronomia será um dos fios condutores da experiência. O público poderá conhecer e degustar preparações que carregam histórias e tradições do Quênia e de outras regiões africanas.
Entre os destaques estarão o Arroz de Pilau, preparado com carne bovina e especiarias e servido com banana-da-terra; o Viazi Karai, tradicional comida de rua da costa queniana, feita com batata e uma massa temperada com cardamomo, canela e pimenta-preta; os Bolinhos Mágicos, de frango ou peixe, inspirados na culinária popular congolesa; o Mbwnge na Mwamba, preparado com feijão-fradinho, molho de amendoim e leite de coco, com opções de carne bovina ou vegana; e o Mandazi, bolinho frito adocicado bastante conhecido no Quênia.
Além de Rikler, a elaboração dos pratos conta com os conhecimentos da queniana que vive no Brasil, Rhoda Mutisya. Ela traz para a mesa saberes aprendidos em família, compartilhando técnicas e tradições culinárias de seu país. "Mais do que alimentar, a culinária será uma forma de contar histórias. Cada tempero, ingrediente e preparo abre uma porta para compreender culturas que, embora separadas pelo Atlântico, mantêm vínculos profundos com a formação brasileira", comenta Rikler.
Conhecimento, ancestralidade e identidade
Das 13 às 16 horas, o público poderá participar de uma rodada de palestras sobre história, cultura, gastronomia e as contribuições do Quênia e do continente africano. A gastrônoma, professora e pesquisadora capixaba Kenya Souza conduz a conversa "África no Prato: sabores do Quênia e a herança da culinária africana na cozinha brasileira", aproximando o conhecimento da cozinha africana das marcas deixadas pela diáspora na alimentação brasileira.
Na sequência, a historiadora e pesquisadora das relações étnico-raciais Leonor Araújo aborda o tema "Quênia: história, cultura e a ancestralidade que nos une", com a participação de Rhoda Mutisya, que compartilhará experiências de seu país e do intercâmbio cultural construído no Brasil.
Já a produtora cultural e integrante da Associação das Bandas de Congo de Guarapari, Raquel Aparecida, conversa sobre "Raízes africanas e a identidade capixaba: manifestações populares", destacando a presença africana nas expressões culturais do Espírito Santo. A mediação será feita pela jornalista, pesquisadora e graduanda Gabriela Maia.
O corpo também conta histórias
A dança ocupa outro lugar de destaque na programação, com duas sessões de oficinas. Das 12 às 13 horas e das 17 às 18 horas, o público poderá participar de atividades que convidam o corpo a experimentar diferentes matrizes e linguagens da diáspora africana.
A oficina de dança "Twerk" será conduzida por Makapon Puri, artista da modalidade. A atividade apresenta o twerk como uma dança construída e fortalecida por comunidades negras, especialmente no sul dos Estados Unidos, em continuidade com saberes de matrizes africanas.
Também haverá oficina de dança com o Grupo de Dança Afro Negraô, ministrada pelo bailarino, coreógrafo, professor e pesquisador em dança Gil Mendes.
Durante toda a programação e nos intervalos das oficinas, o som ficará por conta do DJ Kernel, de origem congolesa e angolana, que levará ao Mucane sonoridades da cena africana e, especialmente, a música queniana. O baile segue até as 21h, com ritmos e batidas que revelam a pluralidade musical do continente.
Empreendedorismo
A celebração se estende à produção autoral capixaba. Cinco afroempreendedores apresentarão seus trabalhos, reunindo telas com pinturas africanas em acrílico, roupas e acessórios com tecidos e estampas que celebram a ancestralidade, além de objetos como canecas, ecobags e squeezes carregados de representatividade.
"A iniciativa amplia o sentido do encontro ao valorizar não apenas manifestações artísticas, mas também quem transforma identidade, criatividade e memória em trabalho e oportunidade. Para o Mucane, receber todo esse evento significa reafirmar seu papel como espaço vivo de encontro entre Brasil e África. A união da gastronomia, música, dança, conhecimento e produção cultural em uma mesma celebração, fortalece os vínculos entre ancestralidade e contemporaneidade", declara o coordenador do Mucane, Luiz Claudio dos Santos Pereira.
O evento será realizado no térreo, no pátio do Mucane, com banheiros adaptados e rampa de acesso ao hall, ampliando as condições de participação. A programação é aberta ao público.
Serviço
6º Dia dos Países Africanos - edição Quênia
Quando: sábado (22), das 11 às 22 horas.
Onde: Museu Capixaba do Negro "Verônica da Pas" (Mucane) - Avenida República, nº 121, Centro Histórico de Vitória.
Programação: gastronomia, palestras, oficinas de dança, música e exposição de produtos de afroempreendedores.
Informações: (27) 3222-4560
Entrada gratuita.
