Palestra realizada no auditório do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Jucutuquara.
Uma palestra que não se resume só a um encontro aos olhos e ouvidos de uma plateia formada por profissionais que atuam na Rede Intersetorial do Território Jucutuquara. Um trabalho que engloba serviços socioassistenciais, de Saúde e Educação. Essa é a descrição que melhor define a qualificação profissional voltada ao Enfrentamento ao preconceito no cotidiano institucional, realizada no auditório do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Jucutuquara.
Para o público, formado por assistentes sociais, educadores sociais, assistentes administrativos, agentes de saúde e psicólogos, a palestra funcionou como um chamado para a adoção de novas posturas diárias diante das diferenças.
De acordo com a palestrante Feel's Keinstein, a iniciativa da Rede Sócioassintencial em conjunto com a Rede Intersetorial do Território de Jucutuquara, em promover esse evento é importante para a profissionalização do acolhimento e para assegurar a proteção social do público LGBT que busca os espaços públicos.
Feel's Keinstein comentou que as equipes precisam estar preparadas para receber essa população de modo que o atendimento responda efetivamente às suas necessidades de cuidado e proteção. Ao ser questionada sobre o sentimento de encerrar o encontro após receber abraços e relatos comoventes, a palestrante declarou que sai com o coração cheio de alegria e alívio por saber que existem pessoas dispostas a contribuir para a mudança das estatísticas atuais.
Segundo ela, essa iniciativa precisa alcançar outros espaços de atendimento, mobilizando todos os profissionais e as famílias de pessoas LGBT atendidas nos serviços públicos. A palestrante alertou também que é fundamental que os trabalhadores entendam que essas famílias passam por um processo de luto e que existem expectativas construídas que acabam quebradas em algum momento, pois essas famílias planejaram filhos heterossexuais e cis gêneros, gerando uma demanda de cuidado e acolhimento familiar que a rede precisa apoiar.
Para a coordenadora do Acessuas Trabalho, Cremilda Astorga, o encontro visa instrumentalizar os profissionais para o aprimoramento da escuta qualificada, compreensão das vulnerabilidades e fortalecimento das práticas de acolhimento seguro, garantindo a defesa de direitos e o respeito à diversidade das juventudes.
Para Diana Pereira de Aragão, que atua na Coordenação de Transferência de Renda e Benefícios (CTRB), o momento gerou emoções profundas. Ela afirmou que ouvir essa história de vida causa um impacto grande na execução da política pública e reforçou que a Assistência Social tem o papel de promover a inclusão.
Diana destacou que todas as pessoas possuem direitos e que a formação capacita as equipes para uma abordagem mais respeitosa, garantindo que o público se sinta protegido pelo poder público.
Na avaliação do coordenador do Centro de Convivência do Romão, Igor Soares, a capacitação dos trabalhadores que atuam nos serviços socioassistenciais é fundamental por representar uma valorização da equipe e viabilizar a efetivação dos direitos dos usuários dos serviços públicos municipais. Ele destacou que esse tema perpassa todas as secretarias e políticas públicas.
Ao final da formação, a educadora social Chris Lise Penido, que atua na Obra Social Nossa Senhora das Graças, disse que a palestra abriu um novo olhar sobre as pessoas. Ela comentou que pretende se colocar ainda mais no lugar do outro, tanto da família quanto das crianças e adolescentes atendidos pela rede.
A secretária de Assistência Social de Vitória, Carla Scardua, concluiu reforçando o compromisso do município em expandir essas formações para consolidar a segurança de direitos em toda a rede de atendimento.