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Vitória avança em estudo de vulnerabilidades para plano de adaptação às mudanças climáticas

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Por Michelle Moretti (msmorettieira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes


Jansen Lube
Painel de monitoramento do centro de operações da Defesa Civil de Vitória

O que acontece quando um mapa aponta uma área vulnerável ao calor intenso e, dentro dela, há uma escola e um equipamento de atendimento a idosos? A pergunta surgiu durante as reuniões técnicas que a Prefeitura de Vitória realiza para avaliar os mapas de risco e vulnerabilidade climática da cidade. O trabalho busca identificar onde os efeitos de eventos extremos podem exigir maior atenção do poder público.

Os encontros, que começaram na terça-feira (22), reúnem profissionais de diferentes secretarias e da Defesa Civil. Os mapas tiveram uma elaboração inicial e agora passam pela etapa de avaliação: as equipes examinam os resultados, confrontam as informações com o que conhecem sobre o território e identificam pontos que precisam de ajuste. Esse processo de calibração integra o Estudo de Vulnerabilidades e Riscos Climáticos e vai subsidiar o Plano Municipal de Adaptação às Mudanças Climáticas.

Na manhã da terça-feira (22), a análise se concentrou em inundações e alagamentos. À tarde, o tema foi a exposição a ondas de calor e de frio. Durante a discussão sobre o calor, a equipe identificou preliminarmente uma área vulnerável onde funcionam uma escola e um equipamento de atendimento a idosos.

A sobreposição das informações mostrou por que a análise precisa ir além da localização de uma ameaça. Também é necessário observar quem utiliza cada espaço, quais serviços funcionam na área e de que forma poderiam ser afetados. A identificação feita na oficina ainda será avaliada pelas equipes técnicas e não significa que medidas específicas já tenham sido definidas para o local.

Próximas reuniões

Nesta quarta-feira, 23 de setembro, as equipes avaliaram os mapas de deslizamentos e movimentos de massa, e de incêndios florestais. A programação continua em outubro: no dia 6, serão discutidas secas e estiagem, às 9h30, e arboviroses, às 14h30. No dia 7 de outubro, às 9h30, o tema será ventos intensos e eventos costeiros.

Todas as reuniões ocorrem no Observatório da Secretaria de Gestão e Planejamento (Seges) em Bento Ferreira, com a participação das equipes técnicas dos órgãos envolvidos.

A divisão por temas permite examinar as características de cada ameaça e seus possíveis efeitos sobre a população e os serviços da cidade. Os impactos de uma inundação, por exemplo, podem alcançar vias, edificações e equipamentos públicos. Já a análise de uma onda de calor exige observar as pessoas expostas e as condições dos espaços que frequentam.

Do diagnóstico ao plano de adaptação

O Estudo de Vulnerabilidades e Riscos Climáticos é um dos instrumentos previstos no contrato de governança climática firmado pela Prefeitura em outubro de 2025. A iniciativa é coordenada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e pela Defesa Civil e também contempla a elaboração do Plano de Adaptação a Eventos Climáticos Extremos. O contrato com a I Care Estratégia Ambiental Ltda. é financiado com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Nesta etapa, os profissionais analisam mapas elaborados inicialmente e verificam como seus resultados se relacionam com as informações disponíveis nas secretarias. A avaliação pode indicar a necessidade de ajustes e aprofundamentos antes que os estudos sejam utilizados para orientar prioridades e medidas de adaptação.

O trabalho ocorre no âmbito do Comitê Gestor de Governança Climática, instituído em 2025 para articular as áreas da Prefeitura, acompanhar a elaboração do plano de adaptação e integrar o tema climático às políticas municipais. Em agosto de 2026, o Comitê conquistou o primeiro lugar no Seminário Estadual de Boas Práticas para as Defesas Civis, com uma proposta reconhecida pela eficiência, pelo baixo custo de implementação e pela possibilidade de replicação em outras cidades.

As reuniões temáticas mostram como essa articulação funciona na prática: profissionais de diferentes áreas examinam os mesmos riscos, acrescentam informações sobre o território e ajudam a definir o que ainda precisa ser investigado. O resultado deverá contribuir para um Plano Municipal de Adaptação baseado nas vulnerabilidades identificadas em Vitória e nas necessidades de quem vive e utiliza a cidade.