As ruas do bairro Andorinhas ganharam um novo colorido nos últimos dias. Crianças, adolescentes e idosas que participam de atividades no Centro de Convivência Andorinhas e famílias atendidas no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Alaíde dos Anjos, no território Santa Martha, percorreram as vias até a tradicional feira livre.
O grupo distribuiu gérberas amarelas e levou faixas e cartazes com frases alusivas à campanha de enfrentamento ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.
Por onde passavam, a adesão à ação era fortalecida com as declarações de moradores e pedestres, como Tânia Reis, avó de dois netos, de 4 e 10 anos. Para ela, esse é um tema que precisa estar em evidência todos os dias. "A violência está demais, né? Sempre os oriento e falo que eles só podem ficar com os pais ou comigo. Eles já sabem onde podem e não podem ser tocados. Eles são orientados a se defender e se proteger", afirmou.
A comerciante Ilza Brito disse que ficou impactada ao receber uma flor das mãos de uma das crianças. "É muito importante elas gritarem por proteção. É preciso não só falar, como, também, punir e denunciar".
A vigilante Suelen Palmeira, que estava na feira junto com a filha Sofia, de 6 anos, fez um relato emocionante de mudança de vida e de ciclo em favor da proteção da menina. "As crianças saberem sobre o assunto é importante. É preciso dar um 'basta' nessa situação. Precisamos estar atentas. Eu decidi mudar de cidade para tentar dar mais segurança para a minha filha e estou sempre junto dela. Faço tudo para garantir que ela esteja protegida, porque ela é só uma criança e precisa continuar sendo enquanto for o tempo dela, para crescer bem".
Integração
A coordenadora do Cras Santa Martha, Soraia Assis, contou que a organização da caminhada mobilizou todas as equipes da rede intersetorial. Profissionais do Centro de Convivência Andorinhas, Cras, Creas, Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Maria Nazareth Meneguelli, Escola Municipal de Ensino Fundamental em Tempo Integral (EmefTI) Izaura Marques e outros serviços trabalharam junto com as crianças, adolescentes e pessoas dos outros ciclos de vida na produção das gérberas, na pintura dos cartazes e na montagem de saquinhos de pipoca e brindes.
O material foi distribuído para moradores nas casas, em portas de lojas, no semáforo da entrada do bairro e para pedestres que circulavam pelo caminho.
A gerente de Atenção à Família, Juliana Moura, ressaltou o papel da ação no território. "Essa mobilização nas ruas é fundamental para dar visibilidade a um direito social garantido", reforçou ela.
A gerente de Serviços de Convivência, Cristina Silva , ressaltou o objetivo principal da ação: "Promover a proteção integral e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, mostrando que toda a sociedade deve ser um escudo para as nossas crianças e adolescentes", comentou.
A secretária de Assistência Social, Carla Scardua, também enfatizou o dever do município com a causa. "A assistência social atua diretamente na garantia de direitos e na proteção das nossas crianças e adolescentes. Quando ocupamos o espaço público com as famílias, estamos fortalecendo os vínculos comunitários e criando uma rede sólida de cuidado para tentar impedir a violação desses direitos", frisou a secretária Carla Scardua.