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Estudantes da EJA criam jogos em projeto de alfabetização
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Por Acácio Rodrigues (aafrodrigueseira$4h064+pref.seme.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes
Unir a educação e a tecnologia para transformar vidas! Esse é o objetivo do projeto Gamificação na Alfabetização, da Educação de Jovens e Adultos (EJA), realizado pela parceria entre as Escolas Municipais de Ensino Fundamental (Emefs) Professora Olga Maria Borges e Maria Stella de Novaes, dos bairros Ilha do Príncipe e Grande Vitória. No início do projeto, há pouco mais de um mês, apenas seis estudantes estiveram presentes. Agora, são 15 participantes, entre 15 e 66 anos.
A atividade, orientada pela pedagoga Edenise Paixão, é realizada por meio do os projetos selecionados pelo PIBIC Jr., um programa de iniciação científica fruto da parceria entre a Companhia de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Vitória (CDTIV) e a Secretaria Municipal de Educação (Seme).
"Foi pensado no sentido de potencializar a leitura e a escrita, o engajamento dos estudantes como pertencentes a esse chão na escola, desse espaço da EJA, então se sentem parte disso. O projeto os potencializa enquanto seres humanos nesse processo todo de desenvolvimento. Fiz uma avaliação sobre cada estudante e quero ver, ao final do projeto, o quanto evoluímos, o que tivemos de resultado a partir dessa proposta"", afirma a orientadora.
Edenise, que na adolescência teve a mãe também estudante da EJA, explica seu olhar para o projeto com a turma. "Quis trazer uma inovação, para que pudesse ser interessante para eles. Vejo que a Gamificação na Alfabetização vem com um processo diferencial para eles. Que engaja, que potencializa, que os torna protagonistas das suas próprias histórias e conhecimentos, tanto que eles vão criar jogos pensando em temas que os professores levam para a sala de aula e para eles é o diferencial".
Em pouco tempo, a orientadora garante que já tem estudantes que aprenderam a criar jogos, mesmo em fase inicial, com interesse de cada um. "A Maria Eduarda por exemplo, já criou um jogo sobre o bairro Grande Vitória, onde estão inseridos e onde ela mora. Trouxe o tema sobre o bairro, ela criou o jogo, trouxe a fala de que foi muito legal participar e falar sobre o tema. Se identificou, trouxe para dentro de sua realidade. É incrível poder ver essa educação potente, forte e transformadora".
Aos 17 anos, Maria Eduarda Andrade tem o pertencimento do bairro Grande Vitória em sua rotina. "Queria mostrar o bairro onde moro desde criança. Acho bem importante para que meus amigos possam aprender, assim como eu aprendi", conta a estudante. "Está sendo bem bacana, porque a gente aprende várias coisas. Eu não sabia mexer no computador, nada. Meu negócio era só celular. Aqui sinto que estou crescendo e que futuramente vou crescer mais, nessa parte de ter conhecimento e de criar algo", completou.
Projeto
O projeto "Gamificação na Alfabetização - Tecnologias digitais como estratégia de engajamento na EJA" é da Emef Professora Olga Maria Borges, e realizado na Emef Maria Stella de Novaes, voltado para a estudantes da EJA em processo de alfabetização.
O intuito é observar como a gamificação, com jogo educativo digital, contribui para a alfabetizar a turma. Assim, é feito diagnóstico do nível de alfabetização e perfil digital dos estudantes; desenvolvimento do protótipo em Scratch, em co-design com os estudantes; sessões semanais gamificadas com trilhas em três níveis; e teste interativo do protótipo com coleta de feedback dos estudantes.
"O projeto é uma perspectiva diferente de como podemos aprender, e como o Pibic Jr. vem impactando e transformando a vida de muita gente. Essa parceria com a Seme nos leva a territórios diferentes da cidade, apresentando o olhar de diversos estudantes. Nesse projeto, no bairro Grande Vitória, vimos a potência que existe quando você vê pessoas que ainda não completaram 18 anos, ao lado de idosos, aprendendo e compartilhando conhecimento", disse a diretora de Inovação da CDTIV, Bárbara Ohanna Moreira.
EJA
Coordenadora da Educação de Jovens e Adultos em Vitória, Viviani Cosme fala sobre o trabalho desenvolvido na rede municipal de ensino. "O desafio na EJA é muito grande, porque a gente tem que fazer o movimento inverso do que a Educação Infantil e o Ensino Fundamental fazem. Quando você tem um bebê ou uma criança, você automaticamente já sabe qual é a escola de referência do seu bairro, da sua região, então a família já matricula nesse local", destaca.
"Na EJA é ao contrário, a gente precisa pensar em estratégias para o munícipe saber onde tem vaga da EJA. Parte desses futuros estudantes tem dificuldade de leitura e escrita, então como eles acessam? Buscamos ativamente fazer com que possam exercer seu direito de inserção", frisa Viviani Cosme.
Nesse processo, a coordenadora da EJA em Vitória acredita que projetos como o Gamificação na Alfabetização proporcionam maior interesse para que novas matrículas aconteçam.
"Buscamos fazer com que as práticas sejam cada vez mais qualificadas para atrair esses futuros estudantes. Além da matrícula, você tem que garantir a permanência, e aí é que está a necessidade de ter currículo que dialogue com a pessoa".
