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Carnaval 2026: Chega Mais reafirma raízes comunitárias e aposta na ancestralidade para 2026

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Por Julya Feitoza (jfcarvalhoeira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de SEGOV/SUB-COM


Léo Silveira
Chega mais

Fundada em 25 de fevereiro de 1980, a Chega Mais nasceu da iniciativa de um grupo de ritmistas da antiga Escola de Samba Santa Lúcia, todos moradores do bairro Do Quadro, onde a agremiação permanece sediada até os dias atuais. Ao longo da década de 1980, a escola participou dos desfiles dos grupos de acesso do Carnaval de Vitória, até interromper suas atividades em 1992, após o fim da competição promovida pela Prefeitura de Vitória (PMV). O encerramento dos desfiles resultou em um período de apagamento da escola e dispersão da comunidade.

A retomada aconteceu em 2013, quando a Chega Mais voltou à avenida como escola convidada, reeditando o enredo em homenagem a Adoniram Barbosa. Desde então, a agremiação tem buscado reconstruir sua trajetória no carnaval capixaba, desenvolvendo um trabalho contínuo e estruturado junto à comunidade local.

Atualmente, presidida por Maria José Gegenheimer da Silva, a escola tem Diogo Rocha como carnavalesco e mantém projetos sociais em parceria com órgãos que atuam no território. Entre as iniciativas estão o projeto Ritmistas do Futuro, voltado à formação musical, e o Fuxiqueiras do Bem, que reúne mulheres da comunidade para o reaproveitamento de sobras de retalhos de fantasias, transformadas em peças de artesanato como fonte de geração de renda. A escola também participa ativamente do Conselho Local de Saúde, ampliando sua atuação para além do universo do samba.

Com raízes fincadas no Bairro do Quadro e atuação crescente nas áreas adjacentes, a Chega Mais segue fortalecendo sua presença no carnaval de Vitória e no cenário cultural da cidade.

Para o Carnaval de 2026, a escola apresenta o enredo "Iabassés, cozinhando para os Orixás, Voduns e Inkices: o alimento sagrado", que destaca a figura das Iabassés -- mulheres escolhidas pelos próprios orixás para guardar e transmitir a sabedoria de transformar grãos, vegetais, caças, minerais e especiarias em alimentos sagrados. De Yaôs a Ebomis, são elas as responsáveis por um conhecimento ancestral que atravessa gerações.

O enredo exalta a fé das mulheres negras e a dimensão espiritual do ato de cozinhar, compreendido como uma forma de doação, gratidão e conexão entre o mundo material e o sagrado. Na tradição das religiões de matriz africana, o alimento é elemento essencial de comunicação entre humanos e divindades, utilizado para agradecer, pedir proteção e fortalecer vínculos espirituais.

Ao retratar o processo que vai da escolha e separação dos grãos ao preparo final dos alimentos ofertados aos orixás, a Chega Mais celebra saberes ancestrais, histórias e fundamentos que se espalharam de norte a sul do país. Cada preparo revive memórias, deposita intenções e reafirma a fé, reconhecendo que cada elemento da natureza carrega uma energia própria, capaz de alimentar o sagrado e manter viva a tradição.

Sinopse

Chega mais na avenida o povo do samba!

Ê laia

Que vencendo as demandas

vem saudar

Iabassés desse terreiro, que no mês de Fevereiro faz banquete pro orixá!

(Oi Chega, Oi Chega )

Ê, Mojubá!

Lá na porteira o guardião saudar

Ebó para pedir a proteção

Já tem lenha no fogão, cheiro bom no ar

Oh! Mãe me conceda a sua "bença"

Ao santo eu já Pedi Licença

Pra começar no altar acendo a vela

E mexendo a panela, põe axé pra temperar!

Vestida em branco, com ojá bordado em renda

Vou preparar as oferendas

Amalá pra Xangô lá na pedreira eu vou

Na cachoeira, omolokum, mamãe Oxum

À Yansã o acarajé, frutas pra Logun edé

Levo à Obá seu ajeum

Quem vence as demandas é Ogum

Tem feijoada todo 23 de Abril

Um doce entreguei para o erê!

E o velho obaluaê, com um banho de pipocas me cobriu

Na mata milho verde para Oxóssi

Na praia peixes para Yemanjá

Ossaim oferto o mel, Nanã sarapatel

Salve as águas de Oxalá!