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Carnaval 2026: com fogueiras, bandeirinhas e samba, Mocidade da Praia aposta nos festejos Juninos
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Por Julya Feitoza (jfcarvalhoeira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de SEGOV/SUB-COM
Fundada em 6 de junho de 1947, a G.R.E.S. Mocidade da Praia é uma das mais tradicionais agremiações do carnaval de Vitória. Ao longo de sua trajetória, a escola construiu uma história marcada por conquistas, períodos de interrupção e retomadas, sempre mantendo forte ligação com a cultura popular e com o samba capixaba.
Antes de se consolidar oficialmente como escola de samba, a Mocidade da Praia destacou-se como batucada, conquistando diversos títulos nos concursos realizados na capital. Foi após se sagrar tricampeã no concurso de batucadas, nos anos de 1969, 1970 e 1971, que a agremiação passou a desfilar oficialmente como escola de samba, a partir de 1972.
Um dos nomes centrais dessa trajetória é o do Mestre Antônio Flores, referência na música e na cultura artística do Espírito Santo. Presidente da agremiação por uma década, Mestre Flores foi um dos principais responsáveis tanto pelos títulos conquistados ainda como batucada quanto pela transformação da Mocidade da Praia em escola de samba.
A estreia no concurso oficial de escolas de samba aconteceu em 1972, quando a Mocidade da Praia conquistou o 4º lugar com o enredo "Glorificação do herói Domingos Martins", colocação repetida em 1973 com "O mundo encantado de Otinho e Rosinha". Em 1974, a escola deixou de desfilar por falta de recursos, retornando no ano seguinte com o enredo "Festa da gratidão", alcançando a 5ª colocação. Nos anos seguintes, apresentou "Exaltação a São Benedito" (1976) e "Tudo isso é Brasil" (1977), antes de mais uma ausência em 1978. Em 1979, voltou à avenida com "O mundo encantado da criança".
A partir de 1980, a Mocidade da Praia inicia uma fase de maior destaque competitivo. Em 1981, conquistou seu primeiro título como escola de samba com o enredo "O mar, suas belezas e magias", dividindo o campeonato com a São Torquato. Em 1984, alcançou seu segundo título com "Cacau, manjar dos deuses. De Montezuma a Nice", samba que contou com a participação do compositor Raul Sampaio, autor de clássicos da música brasileira.
Na segunda metade da década de 1980, a escola enfrentou novos desafios. Em 1986, com a transferência dos desfiles para a Reta da Penha, caiu para o Grupo 2. No ano seguinte, já no Sambão do Povo, conquistou o vice-campeonato do Grupo 2, mas acabou desclassificada por descumprimento do regulamento. O retorno ao grupo principal veio em 1988, com a vitória no Grupo 2 ao desfilar o enredo "E agora, José?".
Nos anos seguintes, a Mocidade da Praia manteve-se no Grupo 1 até a interrupção dos desfiles em 1993, quando as escolas decidiram não desfilar em protesto pela falta de apoio do poder público. O impasse resultou em uma paralisação de cinco anos do carnaval competitivo em Vitória.
O retorno dos desfiles ocorreu de forma não competitiva em 1998 e, posteriormente, de maneira estruturada em 2002, no Sambão do Povo. Após um longo período afastada da avenida, a Mocidade da Praia voltou a se organizar em 2017, participando da fundação da Federação Capixaba das Escolas de Samba (Fecapes). O retorno aos desfiles aconteceu em 2018, em condições adversas, mas garantiu à escola o 4º lugar com uma releitura do enredo "Deu bola na rede, deu samba no pé!".
Em 2019, já sob organização da Lieses, a Mocidade da Praia conquistou o título do Grupo B com o enredo "Reza a lenda, surge a noite. Tem sonhos e delírios no ar!", garantindo o acesso ao Grupo A. Em 2024, a escola alcançou o vice-campeonato e, na sequência, reforçou sua equipe visando novos títulos.
Atualmente presidida por Luciano de Paula Pires e com o desfile desenvolvido pela Comissão de Carnaval, a Mocidade da Praia prepara-se para o Carnaval de 2026 com o enredo "Sob o Céu Junino, a Mocidade Faz a Festa!". A proposta leva para a avenida os festejos juninos como expressão de fé, alegria e identidade cultural, reunindo elementos como fogueiras, bandeirinhas, quadrilhas, comidas típicas e a simbologia de Santo Antônio, São João e São Pedro.
O enredo propõe um diálogo entre o universo urbano do samba e as tradições populares do interior, ressaltando a convivência harmoniosa entre cidade e campo. Ao valorizar a ancestralidade dos festejos juninos, a Mocidade da Praia reafirma seu compromisso com a memória afetiva, a devoção popular e a resistência cultural, traduzidas em linguagem visual, sonora e performática no carnaval capixaba.
Sinopse
PUXA O FOLE SANFONEIRO,É FESTA DE SÃO JOÃO
TACA FOGO NO BRASEIRO PRA ESQUENTAR O CORAÇÃO
EMBALADO DE ALEGRIA DANÇO SAMBA E ARRASTA-PÉ
SOB A LUZ DAS ESTRELAS EU RENOVO A MINHA FÉ
ACENDE A FOGUEIRA
FAZ A AVENIDA VIRAR ROÇA
OLHA O MEU TERREIRO ILUMINADO
BANDEIRA PRA TODO LADO
É A CARA DO BRASIL
O BALÃO SUBIU, É TEMPO DE AMOR
SANTO ANTÔNIO ABENÇOOU
NA LIDA, DA ONDE SE TIRA O SUSTENTO DA VIDA
PLANTAR ESPERANÇA, FAZER A PARTILHA
A TERRA COM O FRUTO SE ENFEITA
CHEGOU O TEMPO DA COLHEITA
PEGA O CHAPÉU DE PALHA, TOMA LOGO UM QUENTÃO
MILHO ASSADO, CANJICA, COMO EU AMO O SERTÃO
SE TEM ZAMBUMBA E TAMBORIM , ME CHAMA DE EU VOU
O ARRAIÁ COMEÇOU
COM FORÇA E CRENÇA EU FIRMO A REZA
SÃO PEDRO GARANTINDO A FARTURA
MANDANDO CHUVA!
E A CADA GOTA QUE CAI EU AGRADEÇO AO CÉU
FELIZ EU VOU SEGUINDO O CORTEJO
VEJO O MILAGRE ACONTECENDO
É A CULTURA DE UM POVO SOBREVIVENDO
A CHAMA NÃO CESSA, ENSAIA A QUADRILHA
EU SOU CAIPIRA, TOCA UM FORROZÃO
A MOCIDADE VAI MANTER A TRADIÇÃO