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Carnaval 2026: Independente de Eucalipto transforma fé, ciência e natureza em samba

Publicada em

Por Julya Feitoza (jfcarvalhoeira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de SEGOV/SUB-COM


Jansen Lube
Indepente de Eucalipto

Fundada em 2 de julho de 1982, a Grêmio Recreativo Escola de Samba Independente de Eucalipto é uma das tradicionais agremiações do carnaval de Vitória. Com forte ligação comunitária e histórico marcado por resistência cultural, a escola construiu sua trajetória no samba capixaba mantendo viva a identidade do bairro que representa.

Após alguns anos afastada dos desfiles oficiais, a Independente de Eucalipto retomou sua participação no carnaval em 2018. Na ocasião, a escola conquistou a terceira colocação do Grupo B, reeditando o enredo apresentado em 1985, que homenageava o universo do rádio, reafirmando sua capacidade de dialogar com a memória e a cultura popular.

Atualmente presidida por Neno Bahia, a agremiação segue em processo de fortalecimento e reorganização, apostando em projetos artísticos consistentes. Para o Carnaval de 2026, a Independente de Eucalipto contará com o trabalho do carnavalesco Douglas Palluzzo, responsável pelo desenvolvimento do enredo que conduzirá o desfile.

Com o tema "A Cura Além das Areias da Cidade Saúde", a escola propõe uma reflexão ampla e sensível sobre a busca histórica da humanidade pela cura, entendida não apenas como a superação da doença, mas como um estado de equilíbrio integral entre corpo, mente, espírito, comunidade e natureza. A narrativa destaca a cura como um processo coletivo, cultural e contínuo, construído ao longo do tempo por diferentes povos e saberes.

O enredo percorre desde os rituais ancestrais, baseados na espiritualidade e na observação da natureza, até os avanços da ciência moderna, evidenciando que o conhecimento humano evolui sem romper com suas raízes. Figuras como o curandeiro, o xamã, o benzedeiro, o sacerdote, o médico e o cientista são apresentadas como diferentes expressões de uma mesma missão: proteger a vida e restaurar o equilíbrio humano.

A proposta valoriza especialmente os saberes tradicionais africanos e indígenas, reconhecidos como pilares da medicina ancestral. O uso consciente das ervas, das folhas, da água, da terra e dos elementos naturais aparece como instrumento de cura física e espiritual, saberes transmitidos de geração em geração e que dialogam diretamente com a medicina contemporânea.

Ao atravessar diferentes civilizações, o enredo reforça que a cura sempre esteve associada à fé, à ciência, à ética e à responsabilidade social. Mesmo diante de pandemias, perseguições e períodos de intolerância, a humanidade manteve o compromisso com a preservação da vida. No contexto atual, essa busca se manifesta na ciência, na vacinação e nas políticas de saúde pública, reafirmando a importância da ação coletiva diante das crises sanitárias.

A narrativa encontra sua síntese em Guarapari, reconhecida como Cidade Saúde. As areias pretas, o mar, a cultura popular e a ancestralidade local surgem como símbolos de cura, acolhimento e renovação. Mais do que um espaço geográfico, Guarapari é apresentada como um território simbólico onde natureza, fé, ciência e identidade cultural coexistem.

Ao levar esse tema para a avenida, a Independente de Eucalipto reafirma que curar é cuidar, respeitar a vida, preservar a natureza e valorizar a memória ancestral. O enredo ecoa como um chamado coletivo à consciência, à solidariedade e à esperança, pilares que atravessam o tempo e seguem orientando a luta pela vida.

Sinopse

A cura através dos tambores,

Areias que sanam as dores

É preta, a receita popular,

Na antiguidade mistério profundo, da vida imortalizar...

 

Evoca Xamã, o rito sagrado

De um Espírito Santo a lutar

E no balanço dessas águas Esse mar vai me levar

 

Pro santuário de corais, sob a lenda de Mãe-bá

É meu paraíso que vai desaguar

Onde a dor não pode alcançar!

 Omolu tem a força de curar!

 

Ko Si Ewe Ossain

Assáo Eruejé,

Na cabaça o segredo

 Que guarda seu axé

 

Independente, brilha meu encanto,

Sublime acalanto, memória ancestral

A Terra e sua fonte de riqueza

Terra patrimônio cultural

 

Depende de nós cuidar do nosso chão contra a ganância...

Daqueles que destroem a esperança

Negacionistas não passarão

Se vacinar, trate a vida com respeito

 

Da cidade saúde vai ecoar

O grito da luta sem medo.

Eucalipto tem um jeitinho assim

 Amor que cuida e não tem fim

Quando a sirene tocar o sambão vai tremer

Olha quem vem lá de Maruípe pra vencer!