Prefeitura de Vitória

Atalhos de teclado:

Mercado da Vila Rubim: Uma história que reflete as transformações de Vitória

Publicada em | Atualizada em

Por Edlamara Conti (econtieira$4h064+pref.vitoria.es.gov.br), com edição de Andreza Lopes


Arquivo Público Municipal de Vitória
Bancas e vendedores de artesanato no Mercado da Vila Rubim. Década de 1940
Bancas e vendedores de artesanato no Mercado da Vila Rubim. Década de 1940.
Arquivo Público Municipal de Vitória
Orla Vila Rubim aterro e muro de arrimo 1940
Orla Vila Rubim aterro e muro de arrimo 1940

Todos os dias, milhares de pessoas chegam a Vitória pelo sul da ilha, atravessam a Avenida Elias Miguel e passam pelo Mercado da Vila Rubim sem perceber o legado de cultura e de tradições que ele representa. Funcionando há 97 anos, a história deste posto varejista e atacadista começa muito antes de sua inauguração; começa com a criação espontânea de um ponto de comércio próximo à foz dos rios Jucu e Santa Maria, em local perto do Centro.

Em uma pequena praia, com precários trapiches para pequenos barcos, na desprestigiada Cidade de Palha, nasce a vocação para a atividade comercial e para a criação do mercado que se tornaria o maior posto de abastecimento da cidade até os anos de 1980, quando surgem os "quilões", multiplicam-se os supermercados e esta modalidade de comércio não parou mais de se reconfigurar.

Esta história é contada por meio de documentos históricos, livros, projetos arquitetônicos e imagens preservadas no Arquivo Público Municipal de Vitória.

O começo na Cidade de Palha

Até o fim do século XIX, as águas da Baía de Vitória chegavam à Rua Pedro Nolasco e era comum ver crianças brincando na maré. Bem perto, acontecia uma movimentação comercial: pescadores da orla traziam seus pescados e pequenos barcos traziam mercadorias diversas do interior do Estado. O comércio era mais ligado às demandas dos moradores locais e imediações. A região era conhecida como Cidade de Palha, em referência às moradias simples, com casebres cobertos de palha.

Nessa época, a economia capixaba entrava em expansão, baseada principalmente no comércio cafeeiro, e havia necessidade de superar os pequenos cais e trapiches por uma estrutura adequada para embarcações maiores. Tem início, então, o aterro na orla para a construção do Porto de Vitória, em 1906. Nesse mesmo período, a Cidade de Palha ganha o nome de Vila Rubim, em homenagem ao coronel português Francisco Alberto Rubim, que governou a capitania do Espírito Santo, no período de 1812 a 1819.

Antigos cais davam lugar ao novo porto, a economia do Estado crescia e a capital necessitava de novos espaços - e novos aterros - e novos postos de abastecimento. Foi assim, integrado ao reordenamento urbano em torno da área portuária, que foi inaugurado, em 1928, o Mercado da Vila Rubim, ligado ao Mercado Municipal (atual Mercado da Capixaba).

O primeiro prédio

O prédio foi construído na praça onde, atualmente, funciona a feira livre. Possuía dois pavimentos: no primeiro piso, instalaram-se açougues e lojas de hortigranjeiros. No segundo, outros tipos de mercadorias e a administração.

O novo mercado, em estilo eclético, tinha entrada para a atual Rua Pedro Nolasco, enquanto o pavimento superior voltava-se para os fundos (a Avenida Duarte Lemos foi construída no final dos anos 50). Em pouco tempo, além de atender à comunidade local, passou a atender também parte dos moradores e comerciantes de Cariacica e Vila Velha. A Vila Rubim era um ponto de chegada de pequenos barcos que desciam pelos rios Santa Maria e Jucu, entrando na Ilha de Vitória, ou seja, o local de encontro entre os municípios de Vitória, Vila Velha e Cariacica.

"Coréia": a feira ao ar livre

Nos anos de 1950, foi necessário expandir o mercado para o final da Rua Pedro Nolasco, com cerca de 40 "boxes" para venda de peixes, frutas e legumes. Porém, os boxes nada mais eram que tabuleiros de madeira e as mercadorias eram vendidas a céu aberto, características de comércio de feira. Devido à grande movimentação de fregueses, às ofertas aos gritos dos vendedores, à frequência de delitos como furtos e brigas, o local foi apelidado de "Coréia".

Durante 40 anos, o Mercado da Vila Rubim funcionou nessa configuração comercial e se tornou o maior posto de abastecimento alimentício de Vitória, função que ainda será fortalecida com a desativação do Mercado da Capixaba.

A chegada dos galpões

Desde o início da década de 1960, já estavam em andamento obras de aterro para expansão do Porto de Vitória e da Vila Rubim. Nesse período, também aumentavam as demandas de espaço pelos comerciantes e tornava-se necessário facilitar o acesso para fornecedores dos municípios vizinhos e da Região Serrana. O antigo prédio e a Coreia não tinham capacidade para atender o crescimento do comércio.

Assim foi planejada a construção de um novo mercado, construído na forma de três galpões. As antigas barracas ganharam proporções inéditas para a época, com capacidade de reunir em espaços cobertos todos os comerciantes.

Os primeiros galpões foram construídos em 1968, no mesmo ano em que o antigo prédio foi demolido. Em 1969, foi inaugurado o Mercado da Vila Rubim, abrigando, inicialmente 100 boxes, destinados exclusivamente a hortifrutigranjeiros. Em 1970, o Mercado da Capixaba começa a ser desocupado do comércio alimentício e passa a recebendo novos usos.

Era de Ouro

Uma série de aterros foram realizados em Vitória na segunda metade do século XX, para modernizar e ampliar a área habitável da ilha. O aterro da Ilha do Príncipe, em 1970, sobre o canal que banhava a Vila Rubim, possibilitou a expansão do mercado e a reconfiguração da atividade comercial. Já não haveria embarque e desembarque de cargas e passageiros pelo cais ou pela praia. Haveria outra logística, com abertura de ruas e avenidas. Nessa época, foi construída a atual Rodoviária de Vitória.

O Mercado da Vila Rubim ampliou ainda mais seu papel no abastecimento de produtos primários, atendendo toda a Grande Vitória. Sobre o terreno do aterro, em 1976, foram construídos novos pavilhões, e o Mercado passou a desempenhar função de atacadista de hortigranjeiros, ganhando ainda mais importância. Em 1977, com a criação da Centrais de Abastecimento do Espírito Santo (Ceasa) em Cariacica, o Mercado suspendeu esta modalidade de negócio.

História do Mercado da Vila Rubim
Arquivo Público Municipal de Vitória
Locomotiva da EFVM Mercado Vila Rubim 1942
Locomotiva da EFVM Mercado Vila Rubim, em 1942.
Arquivo Público Municipal de Vitória
Mercado da Vila Rubim; Avenida Elias Miguel, Rua Pedro Nolasco, Ponte Seca e Av. Duarte Lemos. Av. J
Vista da Vila Rubim e orla da baía de Vitória. No alto, a Santa Casa de Misericórdia. (ampliar)